Educativos

03/07/2008 18:30

 

VÁRIOS CAMINHOS QUE LEVAM AO MESMO DESTINO

 

Alex Pussieldi
Publicado em 20/10/2007

Não há dúvida da importância e da validade do trabalho de educativos na correção, aperfeiçoamento e desenvolvimento da técnica do nadador. Entretanto, não há uma certeza de qual seria a hora mais correta da aplicação deste trabalho.
Seria no início do treino? Logo após o aquecimento? Ou quem sabe no meio do treino, entre as séries principais? E ao final do treinamento será que o trabalho de educativo não seria mais real estando o nadador mais cansado e com dificuldades de manter a técnica?
As dúvidas são várias, e as respostas também variam. Não há um conceito pré-estabelecido sequer onde o trabalho de educativo seria mais eficiente.
No início do treinamento, o nadador está mais descansado, pronto para receber a informação nova, desenvolvendo a técnica correta.
Entre as séries principais, no meio do treinamento, o trabalho de educativo forçaria o nadador, já cansado, manter a técnica correta e preparando o corpo de forma adequada para encarar a outra parte da série principal a ser trabalhada. Um repouso ativo com técnica e qualidade.
No final do treinamento, o nadador exausto, mais ou menos como ele estará no final de sua prova, onde a técnica falha e o corpo já não respondem as orientações de postura e balanço. O trabalho de educativo, ao final do treinamento, forçaria o corpo exatamente a manter esta técnica, mesmo que com dificuldade, contribuindo na manutenção da técnica ao final das provas.
Como se vê, encontramos argumentos suficientes para colocar o trabalho de educativos em qualquer uma das três fases do trabalho, e nas três de forma eficiente e contribuidora.
A variante de opções mostra que o objetivo pode ser um só, mas existem vários caminhos que podem levar a técnica perfeita, ou para ser mais realista, quase perfeita, pois perfeição será algo jamais alcançado na técnica da natação.
Na última Clínica da ASCA, realizada em setembro de 2007, em San Diego, Califórnia, USA, vários treinadores de renome internacional citaram o fato de que a técnica é o fator que ainda está longe de alcançar o seu limite. Quase todos citaram que os maiores ídolos da natação mundial estão cheios de defeitos a serem trabalhados, ou seja, longe de seus limites a serem alcançados.
O trabalho de educativo é apenas um destes caminhos a serem levados para o trabalho para a técnica. Outra variante no trabalho de educativo é a velocidade a ser aplicada.
Educativos feitos de forma lenta são fáceis de assimilação e desenvolvimento de técnica. São muito bem recebidos pelas categorias menores que acabam aprendendo com facilidade.
Feitos de forma natural, dentro das séries do programa de trabalho, criam uma rotina positiva no treinamento onde os educativos fazem parte sem serem notados ou diferenciados.
Até mesmo educativos em alta velocidade já são realizados por nadadores de alto nível. Na última Clínica da ASCA, pelo menos dois grandes treinadores, Stephen Widmer, técnico de Libby Lenton, e David Marsh, ex-técnico de Auburn, foram dois que citaram que usam o trabalho de educativos em alta velocidade. O motivo: criar estímulos explosivos até mesmo quando o objetivo é melhorar a qualidade técnica do nadador.
Como dito antes neste texto, vários caminhos podem levar ao mesmo destino.
A natação de forma geral, nas suas bases de treinamento tem evoluído e muito. Estamos longe da filosofia dos anos 70 onde “quanto mais era melhor” passamos pela fase dos anos 80-90 “quanto melhor é melhor”, e hoje vivemos um dilema: onde alguns nadam mais e outros nadam menos. Mas todos tem o mesmo objetivo, ou o destino final: nadar cada vez melhor.
O educativo faz parte deste processo. Ele existe basicamente com três objetivos:
1) facilitar o nado
2) dificultar o nado
3) variar o nado
Na fase de facilitação, o educativo entra como agente beneficiente para melhorar a técnica do nado. Assim, um determinado educativo ajuda ao nadador compreender o movimento que inicialmente pode ser complexo, mas através do educativo será melhor assimilado.
Na fase de dificuldade, o educativo faz parte do processo de treinamento onde determinado movimento irá dificultar a ação do nado, incrementando o esforço do nadador em manter a posição ou técnica.
A fase de variação é extremamente importante por vários aspectos. A variação nos movimentos tira a rotina do trabalho, ajuda na motivação e principalmente trabalha em musculatura diferente contribuindo no desenvolvimento do nadador.
Uma última idéia referente a variação de momento do educativo a ser utilizado, ou a velocidade e até mesmo o objetivo. Mesmo sendo vários caminhos que levam a um mesmo destino, a ordem dos fatores aqui vai alterar o produto.
Assim, ao prescrever um educativo, seja no início, meio ou fim, na velocidade que for desejada e no objetivo prescrito, produzirá diferentes respostas no atleta. Entender todo este processo faz parte da formação do bom treinador.
 
 
 
 
 
Por Alex Pussieldi, Senior Coach Pine Crest Swimming, Head Coach Seleção Nacional do Kuwait, Head Coach St. Thomas Aquinas High School.

 

 

(retirado e adaptado de http://www.bestswimming.com.br/conteudo.php?id=7493 )